Último post do Questão Indígena: Encerramos aqui nossas atividades

Então, é isso. Assim como dissemos que seria. Este é o último post produzido por esta equipe a ser publicado neste espaço. Desde a publicação da nossa primeira postagem, no dia 9 de fevereiro de 2013, sobre a invasão da propriedade de Dona Maria de Lourdes Lopes Bacha, de 81, pouca coisa avançou na questão indígena. Nenhuma alteração legislativa importante sobre o tema aconteceu nos dois anos que se passaram. O procedimento de demarcação de terras indígenas continua sob controle da antropologia política e continua sendo impossível devolver terras aos índios em violentar os brancos, como prezam os antropólogos. O fato de a propriedade de Dona Maria de Lourdes, em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul, continuar invadida é emblemático.

Mas nem tudo foram flores negras nesses dois anos. Obtivemos vitórias nesse período. Algumas deles nem todos conseguem perceber.

Não existimos apenas para informar as pessoas. Quem conhece um pouquinho de militância no novo mundo da internet sabe que não é necessário um grande site ou um grande número de acessos diários para se fazer a diferença. Muito mais importante do que ser lido por milhares de pessoas desimportantes é ser lido pelas poucas pessoas que fazem realmente a diferença, pessoas chave, gente capazes de influenciar o tema de que trata a página.

Nesses dois anos o Questão Indígena foi lido por deputados, senadores, por entidades de representação dos produtores rurais atingidos pelas demarcações de terras indígenas, por órgãos do Governo envolvidos no assunto, por ONGs ligadas aos tema. Nas estatísticas de acesso à página do #QI, a Confederação Nacional da Agricultura e a Funai têm praticamente o mesmo número de page views.

Recebemos acessos diários da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, recebemos acessos da Presidência da República, do Ministério da Justiça, do Ministério Público Federal, da Procuradoria Geral da República e de várias Universidades pelo Brasil. Recebemos alguns acessos gostosíssimos através da rede da Portugal Telecom. Há quem acesse diariamente a página do #QI da Agência Brasileira de Inteligência e do Instituto Socioambiental. Recebemos vários acesos do Departamento de Estado dos Estados Unidos durante uma certa crise envolvendo índios na cobiçada Amazônia, do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Nesses dois anos nós já pusemos obliquamente documentos com a nossa versão dos fatos nas mesas dos Ministros da Casa Civil da Presidência, da Justiça e da Agricultura. Fomos procurados por jornalistas de veículos de imprensa nacional e internacional com os quais conversamos mais de uma vez por detidas horas expondo aquilo que a antropologia radical se esmera para esconder.

Além de manter o tema na pauta, essa atuação na penúmbra produz efeitos quase imperceptíveis apesar da importância.

Quando o Gilberto Carvalho encarregou dona Marta Azevedo, ex presidente da Funai, e seu ex marido, Paulo Maldos, de tocarem a desintrusão das Terras Indígenas Marãiwatsédé e Awá-Guajá, no Mato Grosso e Maranhão, a intensão era vender internacionalmente o Governo Dilma Rousseff como um grande protetor dos índios. Falharam.

Teriam conseguido se nós não tivéssemos ajudado a expor o lado dos milhares de agricultores pobres sendo expulsos da terra no processo. A reunião de balanço da desintrusão da Terra Indígena Awá-Guajá foi feita a portas fechadas no Palácio do Planalto. Nem o próprio PT sentiu orgulho do que fez. A única referência nos jornais internacionais sobre o fato foi feita no Washington Post com a ressalva do tratamento desgraçado dado aos agricultores expulsos.

Marta Azevedo perdeu o emprego na Presidência da Funai. Ivã Bocchini perdeu o emprego na Funai e foi contratado pelo ISA. Gilberto Carvalho perdeu o emprego na Presidência da República. Paulo Maldos foi parar na geladeira da Secretaria Geral depois que um post do #QI provocou um bate boca público entre ele e a então presidente da CNA, Senadora Katia Abreu, hoje Ministra da Agricultura, e também acabou sendo exonerado.

Rebu maior causamos entre os adeptos da seita que se tornou a antropologia no Brasil. Sofremos uma coordenada ação de cercamento nas redes sociais. Nenhum antropólogo, indigenista ou ativista engajado tem permissão para citar ou fazer referência aos posts do #Qi. Quando o fazem são rapidamente admoestados e aconselhados a não repercutir os textos do #Qi na rede. O aparato indigenista trabalha firme com o objetivo de não nos deixar crescer em suas mãos.

Mas, talvez não tenha sido por acaso que os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham saído de cima do processo e concluído o julgamento sobre a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol ratificando as condicionantes estabelecidas pelo pleno. Em outras duas decisões, o STF anulou duas demarcações feitas pela Funai. Será que essa decisões tão importantes teriam sido tomadas se não houve um caldo de cultura que ajudamos a contruir?

Nós do #Qi costumamos nos divertir - muito - achando que não, que influenciamos assas decisões de alguma forma.

Obviamente não fizemos isso sós.

O Questão Indígena cresceu em terreno fértil. Os conflitos em disputas por terras entre índios sem terras e produtores rurais, os problemas dos índios com terras já demarcadas, a atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária no campo legislativo e o radicalismo dos indigenistas criaram o ambiente que foi por nós apenas devidamente ressaltado. Outros veículos de imprensa embarcaram conosco, notadamente o Mercado e Companhia, do Canal Rural, e o Notícias Agrícolas, ambos sob coordenação do grande jornalista João Batista Olivi.